Não há Ídolos nem Heroínas por Isabel Maria Angélica – 26.Abril.2016

Eu não tenho ídolos. Tenho admiração por trabalho, dedicação e competência. – Ayrton Senna

O meu grande ídolo morreu. Foi no passado dia 21 de Abril que soube que ele tinha morrido. Nunca o conheci pessoalmente, nunca troquei uma palavra que fosse com ele, mas nutria por ele uma profunda admiração, respeito e carinho pois ele tinha um dom único – foi o autor da banda sonora da minha vida durante 32 anos. E agora ele morreu.

Contudo, poderei eu dizer que ele é um ídolo? Poderá chamar-se de ídolo a alguém que é tão ou mais humano quanto eu?… Afinal o que é isto de idolatrar? Ou admirar? Depois do choque que recebi dentro do meu coração ao saber da morte deste homem, realizei que estava, na realidade, também a despedir-me de uma parte da minha vida. Hoje, com 43 anos, olho para trás e recordo com um sorriso a primeira que a TV me apresentou um vídeo deste homem que sensualmente e serpenteante saia de uma banheira a cantar “When Doves Cry”. Lembro-me desses instantes como se fosse hoje. Eu tinha 11 anos, estávamos em 1984, e aqueles sons e imagens entram pelas minha células e jurei a mim mesma que iria aprender inglês para perceber o que aquele homem cantava.

A sua música ajudou-me a manter um rasgo de sanidade na minha vida quando com 16/17 anos um conjunto de eventos traumáticos arrasaram com a minha família. Amei, odiei, chorei e gritei muito ao som da música que ele fazia. Acompanhei os seus rasgos de genialidade e de humanidade. Admirava-o por isso tudo que ele tinha a coragem de ser e fazer, cantar e gritar.

Mas ele agora morreu e com as suas cinzas também cremei 32 anos da minha vida enquanto mulher para agora outra coisa acontecer em mim… uma espécie de iniciação entre a dor e o amor que me traz a um novo patamar de consciência dentro de mim mesma. Uma lucidez iniciática das curandeiras ancestrais que conseguem ter em si mesmas a visão do escorpião, da serpente e da águia. Uma iniciação que me leva a um novo estágio interno… e foi preciso este homem morrer para que tudo isto dentro de mim se desse com uma brutalidade tremenda, mas ao mesmo tempo com a crua realidade e verdade de que não há ídolos.

Então este homem não é um ídolo. É um homem. Carnal e cheio de defeitos, mas com a coragem de ser e viver a obra que construiu assumindo em si mesmo o milagre de cantar a música que ele sabia que vinha de Deus. E nesta catarse da sua vida, ele traz uma catarse (mais uma!) à minha…

Não há ídolos nem heroínas, ouvi eu dizer quando se abriram as portas do Céu. Há humanos cheios de qualidades e defeitos que na consciência da vivência na Terra tentam fazer o melhor que sabem com os seus dons e dores. E é a esses que honro. Tal como me honro a mim, pois incluo-me neste grupo de corajosos que tem a força de manifestar em si aquilo que professam.

Não há ídolos nem heroínas…

Há um caminho de tentativa e erro para conseguirmos tentar tocar, por pouco que seja, na verdade universal que se deverá manifestar a partir do nosso coração e ventre físicos. No coração guardamos o elo entre o sagrado e o divino, no ventre temos acesso à abundância, fertilidade e criação… E é apenas isto… Para que assim o Céu se Manifeste na Terra através da nossa Acção coerente e responsável de termos uma vida entre mãos – a nossa. Uma vida que será vivida apenas uma vez – AGORA. Pois a que vem a seguir já não é esta. É outra.

Isabel Maria Angélica

(homenagem que faço ao ser humano Prince Rogers Nelson – 7.Junho.1958/21.Abril.2016)

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